quarta-feira, 20 de maio de 2026

É tudo sobre dinheiro?

Eu fui no BBB Experience mês passado. Foi a melhor, e mais divertida, experiência antropológica da vida. Tinha gente de tudo que é lugar do Brasil. E uma fila enorme para pessoas se inscreverem no programa.

E isso me gerou alguns questionamentos.

Pq essas pessoas querem ser vigiadas 24h por dia? Automaticamente eu respondi, dinheiro.

E acho dinheiro uma resposta válida. Porque é exatamente essa a minha resposta. É lícito? Topo.

Mas aí me senti desafiada, e na própria fila comecei a perguntar. No mesmo dia que te chamaram para o BBB, você descobriu que ganhou na mega sena, mesmo assim (pausa dramática) você iria?

100% das pessoas que perguntei, disseram que sim. Então chego a conclusão que o negócio não tem a ver com dinheiro (sobe os créditos). Não, mas quero ir além. 

Eu fiquei indignada. "É mesmo? Pois eu desistiria. Imagina ganhar milhões, e não ter que ir para um programa de TV? Um sonho!".

Não, não era um sonho para as centenas de pessoas que estavam na fila. 

É sobre ser amado, validado e principalmente -  famoso. O dinheiro não está em primeiro lugar. De que adianta ser milionário sem visibilidade e aprovação do Brasil? 

O que seria meu sonho, não é o sonho de todos. 
Inclusive, Deus me defenda da fama. Eu quero que no instante seguinte ninguém lembre de mim. 

Eu não saberia sequer participar deste tipo de conversa:

 - Você é famosa por quê mesmo? 
 - Por ter estado durante 100 dias vivendo a minha vida.

Nesse ponto eu já teria desmaiado de vergonha. A pessoa tem que ter uma autoestima de milhões mesmo para se achar tão importante assim, eu não tenho.

Eu acho que me dá uma certa vergonha não ter feito nada de importante, e ter tanta gente seguindo. 

Eu não mereço ser famosa. Não quero ser famosa. Mas gosto muito de dinheiro, isso é um fato.

Estarei eu disposta a abrir mão da minha privacidade por dinheiro? Sim! Claro que sim. Mas com o coração quentinho de saber que a fama é efêmera, e que em pouco tempo absolutamente ninguém vai lembrar que eu gosto de comer tapioca de manhã.

Quem ganhou o BBB9?


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

O que tem pra hoje?

 Tem uns dias que eu tenho vontade de me encontrar. Aí eu venho aqui, olho as postagens, tiro a poeira.
Teve uma época em que eu acreditava que um dia alguém viria aqui, leria esse monte de baboseiras, acharia genial, e eu ganharia dinheiro com isso. Nunca aconteceu. Nem vai, seja honesta com você, Viviane. 

E eu sigo escrevendo, mesmo que uma vez por ano. Mesmo que muito esporadicamente. E sigo porque eu gosto muito de ver o quanto eu sou confusa. E volto aqui sempre que estou confusa. Aí descubro que eu já fui muito mais. E então eu percebo a função desse blog. Um emaranhado de confusão. 

Se todo confuso escrevesse um texto, desse uma chorada e seguisse em frente, o mundo seria mais honesto. Ninugém encheria o saco de ninguém. Mas aí ele também seria mais chato. Porque a beleza de um problema, de uma sarna pra se coçar, de um mal entendido, é o que dá o brilho à vida.

Andava tão pacata que a biografia não estava valendo a pena. O personagem precisa se movimentar para que tenha história. E eu estava com tanta preguiça da vida, que não estava me movendo pra lugar algum. Evitando a fadiga. Evitando a vida. 

Esses dias fiz um mergulho nos quereres, e tem quereres que eu coloquei tão em segundo plano, que cheguei até a esquecer deles. Ficaram no depósito, como se fosse um museu de utopias. Tem desejos que eu não ouso nem falar em voz alta. Vai que eu acredito?

E a vida não é um acreditar? 

Alguém me disse que eu sou capaz de falar 2h sem falar nada. Se soubesse o barulho, o fuê, o caos que é a minha cabeça, saberiam que sou capaz de falar 24h e não dizer nada.

Acho que estou precisando de uma boa sarna para me coçar. Meu auge é quando eu estou apaixonada. E faz tantos séculos que não me apaixono que eu até ando inventando paixões.
Como diria Cazuza "O nosso amor a gente inventa para se distrair".

Volto distraida, e com invenções, mas volto.


segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Quando crescer

 Eu nunca fui a criança que alguém perguntasse sobre o que eu seria quando crescesse.
A única coisa que valia na minha família era se iríamos sobreviver. Pagar o aluguel, vestir e comer. 

Comprar roupa somente na troca de estação. E não era simples. Era comprar roupa de frio no verão, e de verão no inverno. Então, nunca fui a criança que esteve na moda.

Eu fui ao Mc Donald´s depois de grande, quando eu pude pagar meu próprio lanche. Talvez por isso hoje eu seja a adulta que não está nem aí para a rede de fast food. 

Essas coisas materiais, honestamente, não me fazem a menor falta. Mas eu notei, depois de adulta, que eu não tive pais presentes. Minha mãe nunca falou sobre sexo comigo. Tudo que eu aprendi foi na rua, ou lendo. Eu era uma baita de uma leitora. Vivia pegando coisas na biblioteca.

E, além de não ter sido educada/instruída,  o que me pega mais é a famosa pergunta "O que você vai ser quando crescer?".  Na minha infância minha mãe estava tão preocupada com ela, com terminar os estudos dela, pensar na carreira e etc, que nunca pensou sobre a minha vida.

Eu lembro que um dia, quando eu já estava prestes a terminar o Ensino Médio, ela me disse "Você vai fazer Direito". Eu não tinha vocação alguma pra isso. Mas na cabeça dela era o que dava dinheiro.

Óbvio que eu nunca passei em um vestibular para Direito. Eu mal estudei! Nunca coloquei os pés em um cursinho. Eu não sei de onde ela tirava a ideia que eu, sem estudo algum, vinda de uma escola pública, iria passar num vestibular. 

Quando ela notou que tinha fracassado neste sonho da advocacia, me disse "Já que você não passa na faculdade, precisa trabalhar". E, como não tem profissão, vai fazer magistério". Ou seja, eu terminei o Ensino Médio, e voltei a fazer o Ensino Médio. Enquanto os pais dos meus colegas pagavam cursinho, faculdade, eu estava voltando para o Ensino Médio.

Foi horrível! Eu me sentia péssima. Inútil, era isso. 

Bem, depois que terminei o Magistério eu comecei a trabalhar para pagar a faculdade privada. Fiz Rádio e Televisão. Isso diz muita coisa.

Eu demorei anos e anos para perceber que o que me faz feliz é arte. Deveria ter feito artes cênicas e foda-se, sabe? Mas não tive coragem porque eu precisava trabalhar para me sustentar. E artes cênicas? Anos 2000, minha gente. Eu não era padrão, e não era filha de ninguém. Quais as chances?  

Esse textão é só pra dizer. Incentivem seus filhos. Perguntem sobre o que eles gostam. Se interessem por eles. Isso tem muito mais valia do que qualquer brinquedo, qualquer curso, qualquer coisa.
O interesse genuíno não tem preço. Isso fará essa criança se sentir segura, acolhida, e com certeza terá mais ferramentas para enfrentar a vida.

Por outro lado, tem uma coisa que essa infância/adolescência desacompanhada me trouxe.

Sou uma adulta que não está nem aí pra validação, nunca tive mesmo. Então se as pessoas gostam, não gostam, querem ver, não querem, eu não estou nem aí. 
E, isso também reflete nas relações. Eu sempre acho que não preciso me relacionar com ninguém. Na verdade eu nem sei me relacionar. 

Sabe o que foi isso tudo? Uma boa sessão de terapia...


segunda-feira, 15 de abril de 2024

Menos Pausa

Eu escrevo em blog desde que o mundo da internet existe. Sou blogueira desde quando blogueiras faziam blogs. 

Agora estou no climatério. Sim, aconteceu. Quer dizer, eu tirei essa informação da minha mente. Ainda não fui ao médico. Mas tenho dito isso aos quatro ventos como se eu tivesse sido sentenciada. Cheguei naquele momento da vida que a gente diz "na minha idade (...)", mas tendo a oportunidade de me ler desde os 25 anos, eu sempre fui assim. Sempre cheguei antes nos problemas das idades. É um preview. Vanguarda, alguns diriam.
Mas que tipo de gente quer chegar na menopausa antes de chegar?

Sempre tive amigas mais velhas que eu. Aí na virada dos 35, eu me juntei com jovens. Eu que era a antítese do Peter Pan, quis tardiamente entrar na terra do nunca. Fui fazer um intercâmbio com jovens, e tive a oportunidade de me sentir velha de verdade. Quem é velho aos 35 anos, meu Deus? Eu não sou velha nem agora aos 42. Me espanta quando alguém me chama de senhora. E que doideira é essa de jovem pra ser velha, e velha pra ser jovem, Sandy?

Bem, agora eu entrei nesse combo do climatério. Toda vez que alguém me conta uma história de menopausa, eu compadeço como se eu vivesse de menopausa desde criancinha. Aqui é menopauser, team menopausa! Bora, idosas, mulheres.

Eu sinto calor. Mas de fato está calor, o nome disso é aquecimento global, não menopausa.
Eu sinto cansaço. Mas quem não sente? A gente trabalha muito mais que antigamente, ganha-se muito menos, e vive-se muito mal.  

Ando sem paciência. Mas isso eu nunca tive mesmo. Nunca foi um dom. Confesso que é até minha marca registrada. 

Eu nunca precisei da idade para falarem "deixa ela, tá louca!", porque sempre fui estranha. 
Então não é a menopausa, sou só eu mesmo.

Mas dizem que a gente fica confusa e sem memória na menopausa. 
Eu acho que foi a maconha que fumei na juventude. 

Uma amiga que está no climatério está fumando maconha. Disse que ajuda a acalmar, e não perder o réu primário. Se é fato, eu quero maconha no SUS. Vamos acalmar essa população de mulheres à beira de um ataque de nervos, incluindo eu, claro.

Acho que vou fazer um livro sobre menopausa. A menopausa me deixou cansada para fazer um livro sobre menopausa. Vou mandar uma mensagem para Ingrid Guimarães, ela está nesse tema. Assim, ela que está mais por dentro, pode fazer uma série pra gente. Pensei na Ingrid porque eu não quero a decadência. Eu quero pelo menos rir disso.

Ingrid, vou até voltar a fumar maconha, e colocar na conta do climatério. E vou fumar maconha vendo a série que você vai escrever. 

Tá vendo como esse negócio de climatério é confuso?
Eu esqueci sobre o que era esse texto.

 

sábado, 15 de julho de 2023

Uma palavra

Tem um exercício que você pede para alguém muito próximo te definir em uma palavra. É interessante, façam. 

Pedi para minha mãe me definir em uma palavra. 

Eu: Mãe, me define em uma palavra?

Mãe: Como assim? Eu preciso te explicar em uma palavra?

Eu: Não precisa explicar. Quando você pensa em mim, o que me define pra você.

Mãe: Responsável.

Eu: Mãe...

Mãe: Você é. Quer dizer, eu acho às vezes. Pôxa, difícil definir assim. Precisa ser elogio?

Eu: Quer dizer que você estava procurando uma característica legal pra me elogiar, mas não é o que você realmente pensa?

Mãe: Tá, então não precisa ser elogio, né?

Eu: Mãe, definição!

Mãe: Vivi, você não é focada. Qual o nome para uma pessoa que não é determinada? Você desiste fácil. Se o negócio é complexo, você abandona. E não que você não tenha capacidade intelectual. Você só não faz. Não quer fazer, não faz. 

Eu: Me dá um exemplo pra eu te ajudar com a palavra.

Mãe: No trabalho. Você presta um processo já não se esforçando pra passar. Você não é ambiciosa. Não tem um caminho, uma trilha, sabe? Mas quando a coisa te interessa....Tipo viajar, você decide de forma rápida, organiza, e vai. Hiper focada.

Eu: Então não é que eu não seja determinada. Eu escolho bem minhas batalhas.E aqui a gente tem um erro de perspectivas. Esse foco é o que você gostaria que eu tivesse. É a sua projeção de filho. A entrega que você gostaria que eu fizesse.

Mãe: Tá, então eu vou mudar de palavra. Você é inconstante. 

Eu: Aí eu vou concordar. Mudo de opinião com muita facilidade. E isso chama-se evolução, aprendizado, escuta ativa, abertura para entender o outro, agir de acordo com os meus sentimentos. Se a inconstância é o caminho para o aprendizado e autoconhecimento, eu aceito a palavra.

Mãe: Eu quero mudar a palavra. Você é inteligente...e persuasiva. 

Rimos. 


Rita, Zé, muitos, IA´s e a cultura.

No dia 07/05 chegou em minha casa o livro "Uma autobiografia - Da Rita Lee". 

Comprei porque tinha assistido uma entrevista da Manu Gavassi falando das homenagens que fez à Rita. Sabia que ela estava doente e que de certa forma estavam todos a homenageando em vida para que ela pudesse entender o tamanho de sua influência no rock nacional. 

Dia 22/05 estava agendado o lançamento do "Outra Autobiografia", dia de Santa Rita de Cássia. Queria reler a primeira. A cabeça é aquela coisa, não guarda tudo. Aliás, eu nem sei o que a minha têm escolhido guardar. Isso é outra história, tá vendo como a cabeça engana a gente?

08/05 a Rita faleceu. Eu tinha apenas começado a ler a primeira autobiografia.

Eu ainda acho interessante esses fatos de datas. Semana passada morreu Zé Celso 06/07. Ele havia casado no dia 06/06- Exatamente um mês antes da sua morte.

Nestes dias de falecimentos de pessoas que movimentaram a cultura deixando sua linguagem marcada no tempo, todos que não os conheciam, passam a conhecer - e eu acho ÓTIMO! Vende-se um monte de camiseta, livros, discos, surgem fãs, críticos, videntes que já previam tudo isso, especiais nos programas, ET´s descem à Terra pra ver o que está acontecendo com esses humanos, enfim, é um movimento. 

E da mesma forma que ovacionamos, meses depois, estão no "ostracismo". Dizem que o legado será levado adiante, que lembraremos com respeito e admiração, dizem. Em tempos de Tik Tok, a gente não guarda nem o que almoçou no mesmo dia. Nosso cérebro está virando mingau. 

Lembro de estar em Londres quando a Amy morreu. Camden Town e adjacências estava um inferno (no bom sentido). Todos cantavam, bebiam, falavam, choravam Amy Winehouse. Admito que eu também. Era 2011 e eu era jovem. Me sentia fazendo parte de um momento histórico, de fato estava. Tanto que apesar da minha pouca memória, esse dia ficou cravado nela. Sai dali querendo conhecer mais e mais sobre ela. Não seus vícios, nem seus memes, eu queria saber da artista foda que Amy é. E digo no presente porque a obra está aí. 

Hoje a camiseta da Rita estava em promoção. 

O Teatro Oficina anda cheio, os que não conheciam, querem conhecer o trabalho do Zé (iupi, que bom!)

Amy Winehouse? O que virou o legado dessa artista? Usaram o corpo dela ao último, usaram a memória dela ao último, fizeram documentários dos problemas com as drogas, bebidas, falaram da família, e sugaram de todas as formas possíveis, jogaram o bagaço fora. Em setembro Amy faria 40 anos. Com certeza farão muitas especulações, alguma IA vai fazer o "Como Amy estaria hoje", e vão ressuscitar a Amy de alguma forma. Não pelo seu conteúdo artístico, mas pelo potencial financeiro que essas coisas têm.

E a arte? E a composição? E o real legado?

O que essas pessoas deixam, é uma mudança de pensamento, um tijolo para construção de uma sociedade diferente, um modo de pensar, um modo de ver o mundo sob a lente da arte. É muito mais que uma camiseta com uma frase.

Esses dias a IA da Elis Regina estava dirigindo uma kombi e cantando "Como nossos pais" em um comercial. Elis, já morta, foi comercializada pelos filhos para vender uma kombi. Alguns dizem que foi lindo, foi uma homenagem, os filhos deixaram, e blá blá blá. E eu realmente não tenho nada a ver com isso, mas me dou ao direito de ter minha opinião. Ainda podemos ter uma, certo?

Levando em consideração tudo que a Elis falou, fez, construiu, mudou, revolucionou...Será mesmo que ela venderia uma kombi?

A camiseta da Rita estava em promoção. Na semana que ela morreu estava caríssima, assim como seus livros. Os artistas morrem, o capitalismo lucra.

Amanhã Zé Celso será uma camiseta quando na verdade ele queria ser nome de parque. Parque este que Silvio Santos, que logo mais será nome de Rua, Teatro, Cinema, etc, etc, etc por sua popularidade, não o permitiu construir. Talvez o Silvio IA dirigindo uma kombi faça mais sentido pra mim.